Treinamentos ressaltam riscos dos produtos químicos

dsc02230Angela  sabe bem o que uma “bomba” – mistura de produtos de limpeza – quer dizer. Anos atrás, enquanto limpava uma cozinha, sentiu a vista escurecer, caiu e bateu a cabeça na geladeira. O acidente a deixou com 11 pontos na cabeça, desempregada por três meses – a pessoa com quem trabalhava a mandou embora na hora – e uma dor-de-cabeça permanente. Hoje, ela tem certeza de que químico faz mal e, pior, depois do corpo contaminado, fica difícil se livrar de todos os efeitos.

Ela não limpa mais casa com químico, ela compra produto natural no supermercado e interessou-se pelo treinamento da Cooperativa Vida Verde porque tem uma amiga cooperativada que a convidou a participar. Os anos passaram, mas Angela continua a sofrer os efeitos do uso prolongado dos limpadores. A dor-de-cabeça não passa, a falta de ar incomoda, mas não consegue achar um médico que a cure.

Como Angela, todas as treinandas de sásbado último desfiaram um rosário de reclamações e mazelas provocadas pelo trabalho com limpadores químicos. A capixaba Eva, há quatro anos na América, não pode usar Clorox. Fica com os olhos e a garganta irritados, a respiração pesada. Ela fez o treinamento porque “a gente não tem noção do mal que (os produtos químicos) fazem”. Iara, que mora há quatro anos em Allston, é alérgica ao Clorox; a falta de ar da mineira Luzia de Brighton é tão forte que ela precisa de uma bombinha para dormir. Michelle, de Somerville e Minas, sente o corpo todo mole e Renilda, também mineira e residente em Somerville, só consegue trabalhar quando mistura água aos produtos. Regina, de Governador Valadares e West Newton, confessa que já fêz muita mistura “horrível”. Resultado: os olhos são irritados, o lado direto do rosto está sempre ferido, o nariz entupido e as mãos em carne viva, ao ponto de ter de dormir com luvas de vaselina. José Luiz mora há sete anos em Boston e foi para o treinamento da Vida Verde “porque trabalho com limpeza de janelas e tem sempre cliente perguntando que produto uso, se é natural”.

Os treinamentos da Vida Verde vão continuar graças a recursos do Instituto para Redução do Uso de Tóxicos (TURI) da Universidade de Massachusetts em Lowell. O próximo é dia 14, no escritório da MAPS – Massachusetts Alliance of Portuguese Speakers em Framingham, que apoia o projeto.  A Cooperativa Vida Verde vai fazer mais seis treinamentos nos próximos meses. Se você quiser organizar um em sua comunidade, igreja, escola ou mesmo reunir um grupo de amigas,ou para inscrições e informações,  ligue para 617- 787-0557 ramal ou envie email para Helen Sinzker, helensinzker@verdeamarelo.org, ou para Ruth Alves, ruth@vidaverdecoop.org.

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