Foragido da justiça brasileira é preso por tráfico de pessoas nos EUA

Ribeiro Prates responde por várias acusações de estelionato no Brasil. (foto: Polícia Federal)
Ribeiro Prates responde por várias acusações de estelionato no Brasil. (foto: Polícia Federal)

Um home ligado a um esquema de contrabando de imigrantes brasileiros para os Estados Unidos no sul da Flórida vai a julgamento e ele se declara inocente. Maurício Ribeiro Prates, 45 anos, responde por acusações de tráfico de pessoas. Um dos casos, o acusado roubou e forjou passaportes italianos e deu aos brasileiros em troca de milhares de dólares.

Os brasileiros entraram nos Estados Unidos se passando por italianos. Desta forma, eles não necessitaram de um visto, devido acordos entre os dois países e ainda ganharam uma estadia de três meses. Mas os imigrantes acabaram permanecendo no país após a expiração da permanência.

Em vez de deixar os Estados Unidos no final dos três meses, os migrantes permaneceram ilegalmente.

O tráfico de pessoas oriundas do Brasil se tornou uma preocupação para o Departamento de Imigração dos EUA, pois aumentou muito nos últimos 10 anos, além de criar vários caminhos para a entrada. Um exemplo disso foi que 2012, por exemplo, as autoridades desbarataram uma quadrilha de contrabando que colocou vários brasileiros, ilegalmente, no país.

Este esquema incluía voos do Brasil para a França, depois para a Inglaterra e finalmente para as Bahamas, de onde os imigrantes seguiam para os EUA em barcos. Depois de algumas investigações, foram presos os brasileiros Marcos Cesar de Souza Franca e Claudinele Alves de Souza Franca. Foi depois destas prisões que as autoridades chegaram ao nome de Ribeiro, pois ele ajudava o casal a colocar os imigrantes dentro do país.

Os imigrantes entravam nos EUA através da fronteira com o Arizona e se passavam por turistas e apresentavam o passaporte italiano quando as autoridades solicitava identificação. Depois eles viajavam para a Flórida e em seguida despachados para os seus destinos.

O casal se estabeleceu em Pompano Beach e usou seus passaportes italianos para solicitar carteira de motorista da Flórida. Foi aí que o esquema começou a chamar a atenção das autoridades, pois alguém suspeitou e decidiu verificar. Logo, os agentes do Homeland Security iniciaram uma investigação e descobriram que os passaportes encontrados na casa de Claudinele e Marcos já haviam sido usados por outras pessoas que entraram no país como imigrante da Itália.

Mais pistas do esquema surgiram quando dois italianos entraram no país e usavam os mesmos passaportes e números usados por Marcos e Claudilene. Diante disso, as autoridades consultaram o Consulado da Itália e viram que os viajantes eram os verdadeiros donos do documento.

No dia 19 de setembro de 2013, quando Ribeiro, sua esposa e o filho chegaram ao JFK vindo do Rio de Janeiro, ele foi preso. O brasileiro confessou o crime de acordo com os registros dos investigadores. Os agentes abordaram o acusado e informaram que ele estava sendo preso por envolvimento em conspirações de contrabando de imigrantes para os Estados Unidos.

Ribeiro teria confessado que ajudou traficar 40 brasileiros para este país e recebia uma gratificação dos contrabandistas em torno de US$500 a US$1,000 por cada um. Ele também disse aos agentes que conheceu Marcos e Claudinele em uma agência de viagens no Brasil chamada PR Viagens e Turismo.

No dia 25 de setembro do ano passado, os agentes foram até o apartamento de Marcos e Claudilene, em Pompano Beach, onde constatou-se que eles eram brasileiros. Segundo as informações, os dois confessaram que compravam os passaportes italianos de alguém que conheciam como Maurio.

Mais tarde, durante um interrogatório, Marcos e Claudilene confessaram que o tal Maurio era o brasileiro Ribeiro Prates. Eles também assumiram que pagaram US$30 mil ao acusado para obter os passaportes italianos fraudulentos.

O esquema veio todo á tona, depois que as autoridades ouviram os envolvidos na história. Nos próximos dias será anunciado o início do julgamento dos três.

 

FUGITIVO

Maurício Ribeiro Prates não é tão inocente quanto se diz ser. Em agosto de 2008, ele foi preso quando levava uma mulher e seus filhos para uma viagem de lazer usando documentos falsos.  Ele foi preso junto com um comparsa identificado por Daniel de Carvalhao Isidório. A prisão aconteceu quando eles desembarcavam no Aeroporto Internacional Tancredo neves, em Confins (Minas Gerais), região metropolitana de belo Horizonte.

Segundo as informações da polícia local, um comparsa de Ribeiro teve acesso à senha de uma funcionária de uma agência de turismo de Governador Valadares. Diante disso comprou passagens Aéreas para Fortaleza (Ceará) em nome da vítima. Ribeiro viajou com a mulher e três filhos, usando documentos forjados.

Com o acusado, foram encontradas carteiras de habilitação com a fotografia dele e da esposa, além de certidões falsificadas dos filhos de 8, 12 e 15 anos. Os policiais chegaram até o falsário porque a funcionária da agência fez a denúncia. Ribeiro tem passagens pela polícia desde 1994 por vários crimes, entre eles estelionato, uso de documentos falsos, falsificação de documento público e receptação. “Ele é um golpista profissional”, afirmou o delegado Pedro Leopoldo.

Mas no final de 2010, Ribeiro fugiu de uma cadeia pública de Governador Valadares e desde então a polícia não tinha o seu paradeiro.

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