Mais famoso imigrante indocumentado dos EUA está “preso”

Vargas ganhou o prêmio pulitzer de jornalismo
Vargas não pode sair da cidade fronteiriça devido não ter documentos

O jornalista José Vargas foi ajudar as crianças que entraram sozinhas e ilegalmente pela fronteira e acabou “preso no limbo”, pois não pode sair da cidade de McAllen, por não ter documentos

No dia 05 de julho, o jornalista José Antonio Vargas recebeu uma mensagem de texto enviada por Cristina Jimenez, cofundadora e diretora da organização para jovens imigrantes “United We Dream”.

No texto ela escreveu: “Oi amor, estamos enviando uma delegação para a fronteira e vamos estar lá na próxima semana. Você pode se juntar a nós na quinta-feira (10)?”. Jimenez queria o apoio de Vargas, por ele ser o mais famoso imigrante indocumentado dos Estados Unidos e devido ao seu ativismo. A ideia era que o jornalista se juntasse ao grupo em uma vigília em McAllen, no Texas, uma cidade de fronteira que foi palco de uma grande “invasão de crianças imigrantes nos últimos meses”, as quais estão em abrigos improvisados.

Esta vigília foi criada como sina de solidariedade para o que todos estão chamando de “crise dos refugiados”. Vargas tinha como plano, entrevistar e filmar as crianças que chegaram, sozinhas, em situação irregular no país. Ele mostraria as várias histórias das vítimas de violência de gangues e exploração em seus países de origem.

Mas, ironicamente, o jornalista está “preso”, pois a cidade fica dentro de um raio de cerca de 45 minutos de pontos de checagem da Patrulha de Fronteira, o que torna quase impossível sair sem a documentação adequada, o que Vargas não tem. “Nós não imaginávamos que isso seria um problema”, disse Jimenez Business Insider. “Na realidade, nós esquecemos o fato de que ele estaria entrando em uma região de fronteira e que precisaria passar por pontos de checagem para entrar nos EUA”, continua.

Vargas disse que visitou 43 estados nos últimos em três anos, incluindo cidades fronteiriças na Califórnia e Arizona. Ele foi a Texas Tech University, que fica na cidade de Lubbock, duas vezes nos últimos seis meses. Mas a situação em McAllen, argumenta ele, é diferente. Em uma entrevista, ele descreveu a área como uma zona militarizada.  “Eu me sinto preso só de estar aqui”, disse ele. “Você pode imaginar viver aqui?”, acrescenta.

Vargas só percebeu que estava em uma situação difícil quando Tania Chávez, uma líder de jovens indocumentados do Conselho para Assuntos Minoritários, perguntou como ele sairia da cidade, se não tinha documentos para passar pelos postos de fiscalização. McAllen faz parte de um trecho composto por 100 milhas que o Governo Federal designou como um lugar onde tem o poder de ir além dos limites normais das autoridades constitucionais.

O jornalista disse que se sentiu muito mal quando percebeu o que estava acontecendo. Ele e Jimenez se olharam com incredulidade.

O jornalista chegou aos Estados Unidos quando era criança, mas não foi elegível para o Programa DACA, porque tem mais de 30 anos de idade. Ele poderia tentar sair usando o aeroporto local, mas as regras do McAllen-Miller Airport são muito rigorosas e com certeza teria o passaporte checado, bem como sua autorização para estar no país. Vargas disse não sabe como, ou se, vai sair da cidade.

O jornalista foi até McAllen com o propósito de se solidarizar com as as crianças desacompanhadas envolvidos no debate sobre a imigração. No sábado, Vargas publicou em sua página no Facebook, uma foto de algumas das doações para o abrigo feitas por pessoas em todos os EUA, desde que veio a público a sua situação. Ele disse que as contribuições que fluíram para o abrigo resume a generosidade dos voluntários.

Para Vargas, a situação em que agora se encontra iluminou o debate. Ele disse que se deu conta de quão seguro é a fronteira, assim como os políticos vociferar sobre a tomada de mais medidas e envio da Guarda Nacional. Vargas também disse que se deu conta de como é estar preso no limbo.

Todas as manhãs, agora, quando ele olha pela janela de seu quarto de hotel, vê uma van da Patrulha de Fronteira estacionado do lado de fora.

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